Sobre o blog

Vida de ponto-e-vírgula: o modo de vida assim nomeado define-se negativamente: não é ponto, mas também não é vírgula. A vírgula alterna as coisas com muita rapidez. O ponto final é sisudo, sempre encerra períodos! Bem melhor ser ponto-e-vírgula: uma pausa que não é definitiva, e uma retomada que sempre pode ser outra coisa...



terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Lua grávida

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Lua cheia preenche o céu. Pela janela, entra um vento que não refresca. Maldito calor de fevereiro! Bem-vinda, madrugada insone. Amigas que não se veem há anos papeiam à toa pela internet:

- “Você está grávida?” A outra sorri de espanto e de achar graça na pergunta tão pertinente.

Diz que está prenhe, sim, feito essa lua: cheia, clara e completa, que logo, logo será minguante e depois começa tudo outra vez. A vida é só recomeço e, além do mais, toda lua é cheia.

Foto: de Jim Skea no Flickr.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Os domingos

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Todas as funções da alma estão perfeitas neste domingo.
O tempo inunda a sala, os quadros, a fruteira.
Não há um crédito desmedido de esperança
Nem a verdade dos supremos desconsolos -
Simplesmente a tarde transparente,
Os vidros fáceis das horas preguiçosas,
Adolescência das cores, preciosas andorinhas.

Na tarde – lembro – uma árvore parada,
A alma caminhava para os montes,
Onde o verde das distâncias invencidas
Inventava o mistério de morrer pela beleza.
Domingo – lembro – era o instante das pausas,
O pouso dos tristes, o porto do insofrido.
Na tarde, uma valsa; na ponte, um trem de carga;
No mar, a desilusão dos que longe se buscaram;
No declive da encosta, onde a vista não vai,
Os laranjais de infindáveis doçuras geométricas;
Na alma, os azuis dos que se afastam,
O cristal intocado, a rosa que destoa.
Dos meus domingos sempre fiz um claustro.
As pétalas caíam no dorso das campinas,
A noite aclarava os sofrimentos,
As crianças nasciam, os mortos se esqueciam dos mortos,
Os ásperos se calavam, os suicidas se matavam.
Eu, prisioneiro, lia poemas nos parques,
Procurando palavras que espelhassem os domingos.
E uma esperança que não tenho.

Poema Os domingos, de Paulo Mendes Campos.

http://poemadodia.wordpress.com/category/paulo-mendes-campos/

Agradeço ao meu amigo Sérgio por me apresentar à poesia de Mendes Campos.

Imagem: www.imotion.com.br

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Janeiros

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É como o vento leve em seu lábio assobiar
A melodia breve lembrando brisa de mar
Mexendo maré num vai e vem pra se ofertar
Flor que quer desabrochar, nasceu
Dourando manhã...

Bordando areia
Com luz de candeia pra nunca se apagar.

Já passaram dias, inteiros
Janeiros, calendário que nunca chega ao fim
Início sim e só recomeçar.

 

Composição: Roberta Sá e Pedro Luís

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Online

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Voltei. Não resisti ao clichê de postar votos no último dia do ano!

Todo ano é assim: "feliz ano novo"; "que seus desejos se realizem"; "muita prosperidade e paz na vida de todos!", etc, etc, etc.
Todos os anos, os mesmos votos, os mesmos clichês, atores cansados encenando de novo, e de novo, e outra vez mais o mesmo enredo!
Todo mês de dezembro as mesmas chuvas, o mesmo calor, as mesmas notícias na TV. E o reveillon em Copacabana continua sendo o melhor do Brasil, segundo a Globo.

Feliz 2010
janeiro
fevereiro
março
abril
maio
junho
julho
agosto
setembro
outubro
novembro
dezembro

Tudo igual.

E já que não dá pra escapar disso, vou repetir aqui aqueles que têm sido meus votos nos últimos anos:

Eu desejo a todos vocês poesia !

Desejo que cada um encontre a poesia da vida, da sua vida, com outros, nos outros, no mundo. Porque a poesia, "essa que morava onde havia coração" - nos ensina Mia Couto - a poesia colore a vida da gente!

E que, com poesia, 2010 possa ser pelo menos um pouquinho diferente.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Offline

helerson Oliveira - flickr

Se perguntarem, não estou pra ninguém.

Não atendo telefone, não abro e-mail,

não abro a porta pra visita nenhuma.

Twitter? Deletei a conta.

Orkut? Tô contando os dias.

Quero ficar incomunicável

pelo menos por um tempo.

Saio sem ter data pra voltar,

sem nem saber se volto.

Do meu destino, tampouco sei.

Só sei que aqui eu não caibo mais.

"Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!"

- Trecho do poema Cântigo Negro, de José Régio, que pode ser lido na íntegra em Brusca Poesia.

Imagem: da galeria de Helerson Oliveira, no Flickr.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Coletivo de pensamentos - I

Andar de ônibus às vezes pode ser muito bom pra pensar em algumas coisas - se bem que eu prefira caminhar, enquanto sinto os cheiros da cidade, deixando os pensamentos me levarem, assim como deixo que as minhas pernas me conduzam.

Voltando aos ônibus. Todo dia eu dependo deles pra ir de um lado a outro da cidade, e frequentemente também à cidade vizinha, onde faço meu curso de pós graduação. Pois bem. Eu disse que às vezes o ônibus é um lugar privilegiado pra pensar sobre a sociedade. E é mesmo. Por exemplo: dia desses eu estava em um totalmente lotado. Tive que ficar em pé boa parte do trajeto. Quando isso acontece, eu prefiro ficar na parte de trás do veículo - dá pra ver melhor o que acontece. Pra quem gosta de observar, como eu, não tem lugar melhor.

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Some-se ao 'coletivo' lotado o calor de 35 graus, ou mais, que tem feito nessa primavera super-aquecida e você estará diante de uma equação que não tem outro resultado senão aquele que se afigurou como espetáculo trash diante dos meus olhos, naquela tarde abafada: pessoas suadas, molhando de transpiração os bancos forrados de plástico - aliás, de quem foi essa ideia? Isso sem contar o neném que chora, o homem que tira a camisa, o celular que toca um funk, a pessoa que o atende aos berros... E eu ali, pensando onde foram parar as fronteiras do público e do privado em nossa sociedade.

O homem sem camisa, sentado rente à janela, ao lado de uma jovem mãe com seu bebê no colo, ignora totalmente que o calor que ele está sentindo não o autoriza a desfazer-se de parte de sua indumentária, pois aquele ali é um local público, de uso coletivo. A despeito disso, ele está sem camisa, cochilando encostado na lateral do busão, enquanto o sol faz pingar lágrimas de suor dos poros de seu rosto, já meio envelhecido, e de suas costas, encarregadas de ensopar o revestimento do assento.

Andar sem camisa é prática comum entre os homens em nosso país tropical. Tudo bem, eles podem, que bom pra eles, nada contra. E, apesar de o movimento feminista ter queimado sutians pra que nós mulheres tivéssemos a mesma sorte, a moda por aqui não pegou - e desconheço lugar no mundo em que tenha pegado. De todo modo, é causa que não tenho muito interesse em defender.

Também não sei se existe um manual de etiqueta para tirar a camisa em público, mas penso que o bom senso deveria ser bom conselheiro. Bom senso, nesse caso, seria praticar o costume em lugares abertos, ao ar livre, evitando-se espaços confinados e de uso coletivo, como os ônibus, vans, metrôs, e transportes do gênero.

Essa coisa do corpo descoberto é bem antiga por aqui. Antes dos portugueses chegarem, os nativos andavam seminus, coisa normal pra eles, bizarra aos olhos estrangeiros. Com a colonização, os índios foram catequizados, descobriram que viviam em pecado, e hoje andam vestidos, enquanto os descenentes dos portugueses andam seminus nos ônibus das cidades...

É um caso, penso, de extrapolação da froteira entre o público e o privado. Você pode fazer coisas em casa, que não é aconselhável fazer na rua. A cultura estabelece o que pode e o que não pode, num lugar e no outro. E isso está sempre mudando, dentro de uma mesma cultura e se compararmos uma cultura com outras. Até o início do século XX, a vestimenta dos homens e mulheres no Brasil não era muito condizente com o nosso clima tropical. Hoje, mantêm-se alguns costumes, como advogados terem de usar terno para ir trabalhar, mesmo quando faz 40 graus, e homens não poderem entrar em muitas repartições públicas usando bermudas ou shorts - que dirá sem camisa! - se bem que às mulheres se permita usarem saias nesses locais, também por uma questão de costume: no tempo em que ficava feio para elas usar calças compridas, "coisa de homem", a saia era tida, ao lado do vestido, como vestimenta mais apropriada às mulheres. Hoje, de uma maneira geral, o jeito do brasileiro se vestir mudou bastante e adaptou-se ao clima do país – permitindo que homens e mulheres andem menos cobertos do que antes e tornando a exposição do corpo em público algo tão natural quanto beber água pra matar a sede.

Continua…

sábado, 31 de outubro de 2009

Antes do pôr do sol

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Os frequentadores deste blog sabem que meu hobby é fotografia. Agora revelo um de meus cenários favoritos: o pôr do sol! Este aí foi ontem, na praia de Itacoatiara, Niterói. Simplesmente tudo!

O título é uma referência a um filme que adoro, do diretor Richard Linklater, com Ethan Hawke e Julie Delpy como protagonistas.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ato Médico é aprovado na Câmara

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O PL n° 7.703/06, conhecido como Ato Médico, foi aprovado pela Câmara dos Deputados no último dia 21 de outubro. O substitutivo aprovado, de autoria do deputado Edinho Bez (PMDB-SC), define e regulamenta as atividades privativas dos médicos, mas não esclarece diversos pontos de conflito.

O Projeto de Lei foi apresentado em 2001 no Senado, onde foi aprovado em 2005, sendo encaminhado para a Câmara. Como foi modificado na Câmara, agora retorna ao Senado e, caso seja aprovado, será enviado para análise do presidente da República, que pode vetá-lo ou sancioná-lo.

O texto aprovado apresenta questões polêmicas. Mantém, por exemplo, que somente médicos podem exercer a direção e chefia de serviços médicos, mas não define o significado de “serviços médicos”, o que pode afetar os diversos serviços de saúde realizados por equipes multiprofissionais.

O substitutivo dá aos médicos a exclusividade do diagnóstico e da prescrição dos tratamentos. Dessa forma, retira da população o direito ao livre acesso aos profissionais de saúde sem que tenham que passar obrigatoriamente por uma consulta médica. O próprio relator do projeto pela Comissão de Educação e Cultura, deputado Lobbe Neto (PSDB-SP), afirmou que o texto aprovado provoca uma tutela dos médicos sobre outras profissões da área de saúde.

Assim, o PL não interessa somente aos médicos, mas a todos os profissionais da área de saúde. Ele desconsidera a discussão da atenção à saúde da população, ao papel dos profissionais da área de saúde no atendimento, suas responsabilidades e seus deveres. Sua aprovação pode trazer péssimas consequências para o atendimento de saúde da população.

O CRP-RJ não nega aos médicos o direito de terem uma regulamentação sobre sua profissão; porém, usando-a como pretexto, o projeto parece ser uma reserva de mercado disfarçada. E não podemos deixar de considerar significativo que quase todas as profissões da área da saúde - Biologia, Biomedicina, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Serviço Social e Técnicos em Radiologia - posicionaram-se de forma contrária ao projeto do Senado.

Como tentativa de evitar a aprovação do PL, o CRP-RJ enviou, na figura de seu conselheiro-presidente, José Novaes, uma carta a todos os deputados, explicando a posição dos profissionais de saúde. O Conselho continuará suas ações contra o Ato Médico e pede apoio de toda a categoria nessa luta. Assine o abaixo-assinado contra o PL do Ato Médico!

(Com informações do site da Câmara dos Deputados)

Clique aqui para assinar o abaixo-assinado contra o Ato Médico.

Leia o substitutivo aprovado.

Fonte: CRP/RJ

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Arquivos que me guardam

Um arquivo não nasce arquivo. Ele nasce outra coisa, ele tem uma finalidade. Se vira arquivo, é depois. Mas não existe arquivo pelo arquivo.
Existem arquivos mortos...
Existem arquivos bem vivos...
Existem aqueles que a gente tá sempre desarquivando...
Eu confesso: coleciono arquivos. Não sei me desfazer. Aliás, até sei. Mas não quero. É opção mesmo. Enquanto tiver espaço, vou guardando.
Já tive fases de sofrer muito pela perda de um arquivo: adolescência, benditos exageros! Sentia aquela perda por dias. Era cansativo.
Então, cansei mesmo. Chegou um momento em que eu percebi que os arquivos mais importantes tinham uma cópia, aqui dentro, bem no meu corpo.
Como tatuagem, feito aquela música do Chico. Arquivos gravados na minha memória. Um afeto produz uma marca, um efeito.
Daí, percebi que eu estava toda marcada. Afetivamente marcada, no corpo e na alma. E parei de me importar tanto com os arquivos materiais.
Se os perdi, os lamento enquanto ausência, mas não enquanto perda total. Não tem como dar perda total no que tá cravado na pele da gente...
Mas tem os arquivos-cicatrizes. Esses guardam lembranças mais doídas, por isso a gente procura nao mexer muito neles.
O mais importante do arquivo é que não somos nós que os guardamos; são eles que guardam a gente.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Sala de espera ou Fast Medicin

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Adotando a linha diário-eletrônico, resolvi narrar minha experiência com a fast medicin dos nossos tempos. Não sei se consigo transmitir como eu gostaria o que eu estou sentindo, mas tenho a meu favor a pobreza de emoções que uma situação assim é capaz de provocar: da monotonia à ansiedade com escala na mais profunda apatia. E só. Bom, talvez uma raivinha, bem inofensiva, ao final, mas é só isso.

Então, adentrei o consultório às 10h e 15min, mais ou menos. Eu já sabia que o atendimento era por ordem de chegada e que o ideal seria eu ter chegado lá às 9h (isso se eu quisesse esperar o menos possível ou, num golpe de sorte, ser a primeira paciente). Detalhe que o consultório só abre às 9h30min, o que obriga a cliente adiantada a ficar do lado de fora, no corredor, esperando até que a secretária da médica chegue para a abrir o consultório. Não foi o que eu fiz.

Em vez disso, telefonei antes – às 9h40min – pra confirmar se teria atendimento hoje mesmo (coisa minha: eu sempre confirmo antes, mesmo as coisas mais óbvias). Ninguém atendeu, o que me fez pensar que nesse caso, o óbvio, que seria a secretária me atender, não estava tão claro assim. “Ainda bem que eu liguei antes”, pensei, “quase que perco a viagem”.

Pelo sim, pelo não, eu ia sair de casa de qualquer maneira, então dei um tempinho e liguei de novo. Dessa vez, a secretária atendeu. Perguntei quantas mulheres tinham na minha frente (era uma consulta ginecológica). 11! Onze mulheres na “fila”, antes de mim. Mas tudo bem, eu ia assim mesmo. Sem desanimar, parti pra lá.

O desânimo veio depois de 2 horas de espera naquele consultório, assistindo ao entra e sai de pacientes: mães novas com seus bebês recém-chegados, acompanhadas dos maridões (que, a contragosto ou não, esperam ao lado delas), grávidas, não-grávidas (como eu), mulheres jovens, maduras e idosas! Sim, tinha umas senhorinhas lá, e a médica até queria que eu cedesse minha vez pra uma delas. Me desculpem, eu cedo lugar em ônibus, sou cortês, respeito o direito que eles têm de serem atendidos prioritariamente. Mas 3 horas de espera mudam a sua perspectiva sobre as coisas. E eu estava olhando aquilo com a perspectiva de alguém que não podia esperar um minuto sequer a mais. Que ceder minha vez coisa nenhuma! Desculpe, vovó (com todo o respeito).

Sim, porque a esta altura o relógio já marcava 13 horas! Foram 3 intermináveis horas de espera, e dá-lhe Marie Clare, né? Descobri numa revista do ano passado, que eu folheei na sala de espera, que Ana Paula Arósio não tem afinidade com o computador e que se surpreendeu ao pesquisar seu nome no google! Em outra reportagem, li que existe um certo perfil de mulher para quem não falta homem. A tese era que mulheres que se valorizam e mantêm sua auto-estima lá nas nuvens atraem os homens! Uma frase de destaque era a seguinte: “elas colecionam relacionamentos bem-sucedidos”. Como assim? Os relacionamentos terminaram e foram bem-sucedidos? Em quê? Alguém me ajuda? E olha que essa revista tem o slogan: “porque chique é ser inteligente”. Acho que o conceito de mulher inteligente dessas revistas femininas não é muito parecido com o meu…

Bom, deixa eu voltar à minha história. Lá pelas tantas, lembrei do post do Bruno sobre sua consulta de 5 minutos e resolvi cronometrar a minha também. A esta hora eu já tinha em mente tornar isso público através do blog e queria ser exata, ter números pra mostrar: “dá mais credibilidade à narrativa”, imaginei.

Assim que a médica me chamou e logo após eu ter me recusado (delicadamente) a ceder minha vez à senhora que estava ao meu lado – a médica aproveitou que ela estava distraída com a mesma revista que eu lia horas atrás – e fez um gesto pra que eu entrasse, ao que eu atendi com obediência canina. Não era a vez dela, gente, era a minha vez, entendam bem. Seria apenas uma cortesia, uma delicadeza que eu me senti no direito de não fazer, ora. E isso eu já expliquei.

Entrei e tratei logo de ligar o cronômetro do meu celular. Eu não ia perder essa oportunidade. Ao sair da consulta, verifiquei que o contador marcava 00:17:38:65. Dezessete minutos e trinta e oito segundos foi o tempo que durou a minha consulta. Uma espera de 3 horas, por 17 minutos de serviço. Saí com uma raivinha tola, que já desapareceu, e com uma justificada vontade de mudar de médica… Não que eu tenha esperança de ser melhor atendida, porque consulta de plano de saúde é vapt-vupt mesmo – o que é um absurdo! Mas pelo menos uma consulta com hora marcada, por favor, né?

Imagem: Upload feito originalmente por Eliza Freire no Flickr.

domingo, 4 de outubro de 2009

Pedra em flor

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As flores e as pedras

Contraste poético que minha lente captura.

Há poucos metros dali,

Pessoas conversam coisas que ouço,

mas não registro:

Somos eu, a câmera e a cena.

Enquanto me deixo atravessar

por afetos mundanos,

A vida segue ligeira e boa.

Um vento suave derruba mais flores

da árvore em cuja sombra me sento.

Palavras entrecortadas por cantos de pássaros

compõem a paisagem que, por minhas mãos,

se faz imagem estática.

Tanta poesia há na cidade…

desejos, afetos, vida!

Pedra em flor!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Nem cinco minutos guardados

Marcelo Fromer / Sérgio Britto

Teus olhos querem me levar
Eu só quero que você me leve
Eu ouço as estrelas conspirando contra mim
Eu sei que as plantas me vigiam do jardim
as luzes querem me ofuscar
eu só quero que essa luz me cegue
nem cinco minutos guardados dentro de cada cigarro
não há pára-brisa pra limpar, nem vidros no teu carro
o meu corpo não quer descansar
não há guarda chuva contra o amor
o teu perfume quer me envenenar
minha mente gita como um ventilador
a chama do teu isqueiro quer incendiar a cidade
teus pés vão girando igual aos da porta estandarte
tanto faz qual é a cor da sua blusa
tanto faz a roupa que você usa
faça calor ou faça frio
é sempre carnaval no Brasil
Eu estou no meio da rua
Você está no meio de tudo
O teu relógio quer acelerar,
quer apressar os meus passos
não há pára-raio contra o que vem de baixo
tanto faz qual é a cor da sua blusa
tanto faz a roupa que você usa
faça calor ou faça frio
é sempre carnaval no Brasil

 

A Carlos Drummond de Andrade

João Cabral de Melo Neto

Não há guarda-chuva
contra o poema
subindo de regiões onde tudo é surpresa
como uma flor mesmo num canteiro.
Não há guarda-chuva
contra o amor

que mastiga e cospe como qualquer boca,
que tritura como um desastre.
Não há guarda-chuva
contra o tédio:
o tédio das quatro paredes, das quatro
estações, dos quatro pontos cardeais.
Não há guarda-chuva
contra o mundo
cada dia devorado nos jornais
sob as espécies de papel e tinta.
Não há guarda-chuva
contra o tempo,
rio fluindo sob a casa, correnteza
carregando os dias, os cabelos.

domingo, 30 de agosto de 2009

Domingo

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Tudo o que eu quero é cama.

Pés descalços sobre a colcha colorida.

É domingo, afinal.

Sobre a cama, me deixo ficar.

Na cabeça, pensamentos.

No corpo, uma vontade.

Uma carência.

Fecho os olhos, mas não durmo.

O meu querer ainda não tem nome.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Cinza

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Foto: Don3rdSE, upload in Flickr.

Solidão no meio de gente, no meio da noite, em plena segunda. Que chato.

Dia cinzento, em linguagem poética, quer dizer: triste, sem graça, sem cor. Mas eu vejo o cinza de outra maneira...

Cinza é mistura. Não é a soma do preto com o branco: é outra coisa. Cinza, outra cor.

Dias cinzentos podem ser alegres, assim como dias ensolarados podem ser tristonhos. O cinza-triste está em quem vê.

O sol brilha pra todos...?

Divagações, elucubrações, pensamentos soltos, tentando se encadear... Desisto.

O que eu queria dizer vai ficar engasgado mesmo! Resta-me a resignação e o sono. Sonharei sonhos cinzas. Em paz.

“por mais que eu tente são só palavras/ por mais que eu me mate são só palavras” ♫ – Mariana Aydar (Palavras não falam).

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Cuecas da Hello Kitty – tinha que ser coisa de japonês

Pode até parecer implicância, mas o que eu posso fazer se quase sempre que eu vejo uma notícia bizarra tem a ver com japoneses e suas invenções esquisitas?

Dessa vez, eles resolveram criar cuecas com estampas da Hello Kitty. Tudo porque alguém achou que as namoradas dos mancebos iam ficar caidinhas, já que são fãs da gatinha de desenho animado. Aliás, usar cuecas fofinhas é meio que tendência por lá, e, segundo eles, as namoradas adoram.

Bom, só se for lá, do outro lado do mundo. Porque comigo a tática não ia funcionar, não, sabe. Homem com cueca da Hello Kitty? Não rola, meu bem. Nem do Super-homem, Batman, Justiceiro, e ícones nerds de maneira geral (a quem possa interessar…).

Tudo bem que eu sou uma pessoa libertária, detesto preconceitos e tal. Mas cueca da Hello Kitty é um pouquinho demais, não é não?

hello kitty

A foto dispensa mais comentários.

Fonte: http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/estilo/2009/08/13/216197-marca-japonesa-lanca-cuecas-da-hello-kitty

sábado, 15 de agosto de 2009

Rapidinhas

Estou com mania de pintar as unhas de rosa-choque.

***

Não sei se rosa-choque se escreve assim, por causa do acordo ortográfico.

***

No dia do solteiro não se ganha presente…

***

Estudar Psicologia Organizacional não estava mais nos meus planos…

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Tem um curso (grátis) sobre Filosofia de Deleuze na UNIRIO. Eu vou!

***

Não gosto de atum, mas é o que tem no almoço hoje. Macarronese de atum. Vou encarar.

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É mais difícil estudar em dias de sol…

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Faltam 28 dias pro concurso.

***

O café queimou minha língua.

***

A última frase não tem a menor importância.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Perfis

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"Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo."

Clarice Lispector

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Micro-conto: a dúvida

Lamentava a falta de amigos e passar os fins-de-semana assistindo filme no DVD, sozinho. Hoje, tem quatro convites pra sair e  lamenta ter que optar. Acha que vai acabar dispensando todos pra não ter que magoar ninguém. Além do mais, o filme já está alugado.

Bia Loivos

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Foto: Mr. Tea para o Flickr.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Micro-conto: insônia

Deitou-se. Virou-se, mexeu-se, cobriu-se. Suou. Não tinha sono, levantou-se. Pegou um livro, era ruim. Ligou a TV e dormiu.

Bia Loivos.

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Foto: elescher68 para o Flickr.